Não gostei do filme Do Começo ao Fim, de produção da Downtown Filmes, com direção e roteiro de Aluizio Abranches e elenco principal (em ordem alfabética) composto por Fábio Assunção, Gabriel Kaufmann, Jean Pierre Noher, João Gabriel Vasconscellos, Júlia Lemmertz, Louise Cardoso, Lucas Cotrim, Mausi Martínez e Rafael Cardoso.
O filme não diz a que veio, não vai a lugar algum e é totalmente mal costurado. Tem cenas (e até mesmo diálogos e falas inteiros) que são não só completamente dispensáveis como também cafonas e clichês ao extremo.Nem a idéia de só se estar falando pura e simplesmente do Amor, esse com letra maiúscula, eliminando todas as variáveis do meio (como, de acordo com uma entrevista, almejava fazer o diretor), acontece ali: não há Amor algum, com ou sem influência externa.
Ok, me corrijo. Há um Amor sim: o da mãe para os filhos. Só.
Aliás, aproveito para comentar que A-DO-REI a interpretação da Julia Lemmertz, que fez a supracitada mãe. A atuação dela na cena em que fica em plano americano assistindo aos garotos interagirem na cama do hospital é sensacional! O monólogo interno dela gritava nos olhos! Pena que uma atriz com tanto a oferecer tenha sido subaproveitada. Quando ela morre, para mim, o filme acaba.
Falando ainda em atuações, o Fábio Assunção me deixou com vergonha. Péssimo ele está. Esqueceram de avisá-lo que era cinema e não novela das oito. E a relação de sua personagem com a do casal de garotos fica totalmente frouxa, artificial.
E os atores principais? Gabriel Kaufmann e Lucas Cotrim (que fazem os meninos quando crianças) são fajutos. Depois da Dakota Fanning – como esquecê-la em Amigo Oculto (Hide and Seek, título original), do John Polson? – não existe mais essa de "Ah, mas são crianças!".
E quanto ao Rafael Cardoso e ao João Gabriel Vasconcellos, os respectivos protagonistas quando adultos? Atuações fracas, formais e forçadas. O João Gabriel parece estar o tempo inteiro sob o efeito de uma erva ilegal; o Rafael segura a onda melhor, mas isso não quer dizer que tenha feito tudo o que deveria ter feito. E o diretor percebe isso, tentando compensar o tempo inteiro com cenas de nu dos dois – que, devo assumir, são homens bastante atraentes. Não há química entre eles; não há desejo que os faça entrar nas cenas de (pseudo-) sexo que, aliás, são umas daquelas que poderiam ser excluídas. O problema é que só restariam 20 minutos de filme!
Sobre os demais elementos, a trilha sonora é odiável. Melodramática demais, não acompanha o que é visto, atrapalhando todas as cenas em que esteve presente. Parece que ela foi escolhida depois de uma rodada de uni-duni-tê. Quanto a cenário, figurino, maquiagem e fotografia, não acho que haja grandes comentários a serem feitos, o que talvez seja um belo elogio.
No fim das contas, digo: o filme foi um desperdício. De tudo! Um tema tão bacana e interessante foi inteiramente inexplorado, coroado com uma sequência de más escolhas do Aluizio. Do começo ao fim.
P.S.: Quer ver um Amor ser construído em frente aos seus olhos? Assista Antes do Amanhecer (Before Sunrise, título original), do diretor Richard Linklate. Continue a Ler…
