Algumas vezes percebo que
comprimes os olhos para
ouvir o aroma róseo
que rola pelo
ventre
Quica na caveira: "sinestésico, não?"
Afago os cílios semi-cerrados
do teu olho a mais, mordo
os lábios da boca do
teu estômago e
durmo
Quica na caveira: "cômico, não?"
Sirvo meus sonhos em pratos de
porcelana branca fina funda
ao teu apetite de ave
enquanto sento e
observo
E quica na caveira: "cósmico, não?"
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Pensador
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3 Commentariu(s):
Aaaaaaaaaai desgraçado!
Que profundidade...
O Raul Seixas, num certo show, brinca com a palavra "cósmico", pois, diz ele, ela não define absolutamente nada (risos). Extremamente sinestésico, sim, o seu poema, Daniel, um dos poucos textos bons que li nos últimos tempos, pois convida a ficar um pouco mais, ali, onde a palavra é gostosa de ler como um vinho guardado.
F.
Sim, eu gosto de fazer visitas comentadas. Não acredito em visitas que não sejam comentadas. Extremamente desanimador, escrever para as paredes. Tive um blog em que postava sonhos (divertidíssimo) e outro no qual publicava poemas que eu escrevia na rua, entre um ou outro ensaio, esperando o ônibus, e quase nenhum comentário, uma lástima. Quando falei sobre a construção “quica na caveira”, um amigo da faculdade não entendeu e desconversou. Não posso culpá-lo. Já leste Rimbaud? Nada é tão intenso de se ler quanto jovem Arthur Rimbaud. Recomendo-o. Muito.
Quanto ao que comentou sobre os meus textos, o blog segue determinadas “diretrizes” que buscam exatamente este distanciamento. É proposital. Quero muito falar mais sobre as artes, pois elas fazem muita falta, mas, se não falei mais, foi por estar anestesiado. O internato teve este efeito em mim, mas o quadro tem se revertido. Conto-lhe em breve uma ou duas coisas a este respeito, se quiser. Aliás, em breve devo postar por lá algo que adianta uma boa parte da história.
Abraço.
F.
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